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bei Rio de Onor, Bragança (Portugal)

Desde Rio de Onor, até ao Cabo de São Vicente e a Sagres, tendo como base o track do Transportugal.
Este traçado realizado em 13 dias, além de não ser fácil, pode encerrar algumas dificuldades extra, tais como: - Travessia da Herdade de Vale Feitoso (Espírito Santo), entre a Malcata e Penha Garcia. Neste caso ou se tem autorização prévia (Tel. Termas de Monfortinho 277430430) ou se dá a volta pela estrada via Salvador ou Aranhas (EN 239). Também a ter em conta as diversas Herdades do Alto Alentejo que podem estar com os portões fechados a cadeado, obrigando muitas vezes a dar uma volta maior do que inicialmente previsto.
...Muitas ideias e/ou pensamentos me ocorreram durante esta grande viagem – Posso aliás considerá-la como a “viagem de uma vida”. Uma jornada desta extensão em que se cruza o país do qual somos nativos, que, apesar de não ser muito grande, comparado com outros colossos mundiais – o é, em grandeza de espírito e na multiplicidade de imagens e diferenciação de gentes, costumes e maneiras de ser.

Posso agora dizer, na tranquilidade da secretária, que estes treze dias de travessia Autonómica – Assim gosto de apelidar esta verdadeira resenha dum Lés-a-lés Português – que, o que mais me custou a atravessar, foi, surpreendentemente, aquela região que menos esperava; - O Alto Alentejo. - E não foi por causa da Serra de São Mamede – Mas já lá vamos.

Justificando através dos números, posso dizer que depois dos dois dias e meio que demorei a transpor todo o Trás-os-montes, onde o Parque Natural da Serra de Montesinho faz de mestre-de-cerimónias, e o Parque Natural do Douro Internacional nos abre a porta da saída, via Barca D’Alva, para os dois dias de Beira Alta, de onde dificilmente podemos dissociar a dura e inóspita travessia de toda a Serra da Malcata e do seu Parque Natural, onde passei horas em cruzamentos constantes da raia, outrora por certo explorada para determinadas passagens a salto, em longas horas de fuga e sobrevivência. Foi nessa mesma serra, que muito antes do lince estar irremediavelmente em perigo, no longínquo século XIII, segundo os relatos, terão existido ursos. Pois eu, não enfrentei nenhum dos dois, mas tive a desajuda do calor, bafejado que fui pelo dia mais quente deste périplo; ao qual tive que acrescentar a dura e infrutífera passagem pela herdade do Vale Feitoso, onde os Espírito Santo quase não têm espaço para guardar o imenso gado – E isto, apesar de serem só sete mil e quinhentos hectares de propriedade, estrangulada entre a Malcata e o Erges - onde me queria ter banhado, e que um funcionário da propriedade (compreensivo, no entanto) não mo possibilitou, indicando-me a direcção das montanhas, para sair “das terras” via Barragem de Penha Garcia.

Das duas jornadas de Beira Baixa (interior), apenas digo; - Quando um caminho nos é familiar; - É previsível, e por muito difícil que possa ser, torna-se sempre mais acessível. Foi assim até reentrar na descoberta que seria (e foi), o Alto Alentejo raiano. Logo, e até ter atingido a serra de Marvão (mais uma… E ainda faltam tantas…) e a subida “romana” para a bela Vila de Castelo de Vide, não me recordo de grandes peripécias. Há no entanto um facto a considerar, como tal, digno de ficar por aqui relatado. A chegada ao Parque Natural do Tejo Internacional, a consciência da força de tal caudal e o reflexo das cores do céu naquele espelho, foram do meu agrado, mas não conseguem atingir a áurea que nos trás o irmão Douro, em constantes curvas e cambiantes de relevo, onde se vislumbram as diferentes culturas e socalcos, com natural evidência da vinha. Negativo foi o aproximar a Vila Velha de Ródão e à sua zona fabril, que abafam totalmente a possível beleza da vila, com os cheiros insuportáveis e nauseabundos da pasta de celulose e dos fumos constantes, chegando mesmo a tirar importância às famosas Portas do Ródão que apressadamente queremos ver, para poder atravessar aquela ponte e entrar de vez no Alentejo.

Chegados aqui, já passados de meio desta descida, tive pela frente dificuldades adicionais, algumas delas pela surpresa. Foi assim, sem dar por ela, que demorei três dias para atravessar o Alto Alentejo, desde o “Tajo” ao fim do Alqueva. O cumprir dos Castelos e fortificações por mim até então desconhecidos ou mal explorados, tais como Castelo de Vide, Marvão, Campo Maior, Elvas, Juromenha, Monsaraz e Mourão, foram intervalados com o contornar interminável do maior lago artificial europeu; - O Alqueva, desde Elvas a Moura, tornando o árido Alentejo na região mais azul de Portugal (…há água por todo o lado…), e a constante passagem e respectiva abertura e fecho de cercas de arame e portões de ferro. A dificuldade aqui, advém do facto de muitos desses portões - vai lá saber-se porquê - estarem fechados a corrente e cadeado, tendo mesmo sido confrontado com alguns avisos “convidando” para que nos afastasse-mos. Assim, das duas uma, ou avançamos com a bicicleta por cima dos altos portões e agressivas redes, pondo o track acima de qualquer capricho proprietário, ou, respeitosamente nos desviamos, tendo muitas vezes que retroceder umas boas centenas de metros em busca de caminho viável para prosseguir a nossa contenda e levar a bom porto o nosso esforço. Digamos que nestas circunstâncias, e sempre que não conseguia comunicar com ninguém e os avisos aram hostis, fui demovido de avançar, acabando por dar a volta. Muitos desses montes (herdades), os que não estão ao abandono, são cuidados por caseiros maioritariamente oriundos de países longínquos como a Roménia e a Ucrânia.

Dos dois dias e meio que levei para cumprir em viés, o Baixo Alentejo, cruzando desde a ribeira de godelim perto da Amareleija a NE, até à Serra da Brejeira, nas franjas da de Monchique a SW, destaco a passagem por Cabeça Gorda, terra de BTTistas e do clube Ferrobico, e a constatação da perda do track no GPS, perto de Entradas, antes de Ourique, o que originou que em ritmo supersónico tenha feito uma ginástica de “expressos” Ourique-Lisboa-Ourique, acabando por minorar as perdas e estar pronto para outra jornada matinal a caminho do Algarve. Deste, região por mim bastante calcorreada noutra voltas, tenho a noção, apesar das dificuldades constantes no contornar as arribas das diversas praias, que foi mais uma etapa de consagração, em que as obrigatórias minis se foram tornando num troféu.

A propósito de minis (sempre que possível Sagres), e voltando ao início deste texto, um dos vários pensamentos que me foram surgindo nestes longos quilómetros – para que conste; - 1270 km – foi o de comparar o preço de tão refrescante néctar, relacionando-o com o local específico do país onde este era ingerido. Foi assim que cheguei à brilhante conclusão que mesmo (ou principalmente por estarmos) em tempo de crise; - “O preço da minis está reflectido no espelho do país”.

-Explicando: Com o preço das ditas a aumentar inversamente com o deslocar para Sul, comecei a pagar 0,60 cêntimos e acabei a gastar 0,70 pelo mesmo produto em terras do barlavento algarvio. De uma forma geral, e se me reportar somente a cafés, tascas e snacks o preço não saía muito do padrão compreendido entre os valores referidos; - Digamos que a média andou perto dos 0,65 cêntimos por garrafa. Mas houve excepções. E essas é que têm graça. Desde que saí de Bragança em direcção a Rio de Onor, e depois para Sul, até Sagres e Lagos, o leque da despesa com um “sumo de cevada” foi muito abrangente, tanto, que pelo mesmo produto paguei desde meros 0,50 C num clube recreativo do interior nortenho, até 1,50 euros (sim, uma mini) na aldeia de Telheiro, nas franjas de Monsaraz, onde à conta de um suposto turismo de elite tive que pagar por uma cerveja de 0,20 centilitros quase o preço de um whisky. É assim que vai o país…

“Estórias” à parte, tenho que salientar a constatação (mais uma vez) da beleza do meu país, e sentir-me orgulhoso por pertencer à mesma terra onde apesar das grandes diferenças culturais e socioeconómicas a maioria das pessoas ainda tem um elevado grau de solidariedade e sentido de auxílio. País esse onde nunca me senti em risco ou menos seguro, e onde os meus pedidos, por pequenos que fossem, foram traços gerais, atendidos.

Nesta longa jornada para o Sul, conheci inúmeras pessoas, a maioria simples cidadãos, que vivem o seu dia-a-dia no campo, onde muitas delas (sobre)vivem do que semeiam e colhem, olhando para a crise tão alvitrada como mais uma época de passagem que o tempo acabará por fazer esquecer e de onde sairá outra maleita qualquer… Afinal, muitas destas pessoas já por cá andavam no tempo da “outra senhora”.

Não posso deixar de mencionar algumas delas. Já que estou p´rá ki em “pensamentos profundos”. Assim e de forma desordenada sem qualquer ordem de importância, e com a certeza de que me vou esquecer de muita gente boa, tenho que deixar uma mensagem de apreço e gratidão traduzido num simples; - OBRIGADO A… ao Casal Perdigão, D. Inácia e Sr. Amador de Rosário, à D. Amélia Soeiro Meireles de Lagoaça, à Família da Casa Machado em castelo de Vide, a D. Fernanda o Sr. Machado, ao Casal de Vimioso, do Alojamento Local Centro, à D. Aldina da Churrasqueira Duarte em Maria Vinagre, à Sra. da “Casa Paroquial – Sto Condestável” em Monsaraz e Família, ao casal de Corte Brique, Sr. Joaquim e D. Alice, à Família Pelicano de Alfaiates, a D. São e o Marido, Ao Sr. Aurélio do Ponto Final em Campo Maior, ao Casal de pastores e caseiros Ucranianos, Alex e Esposa, que encontrei na barragem do Ponsul antes de Castelo Branco, ao pessoal do Restaurante Trindade em Pias, especialmente ao BTTista Daniel, aos Ferrobico de Cabeça Gorda, na pessoa do seu representante para o BTT, amigo Lampreia, aos já meus Amigos de Castelo Branco, o Sr. Luís e a Esposa, da Lisbonense, e, muito importantes, porque os últimos são os primeiros, aos Bombeiros Voluntários de Bragança, que não me negaram a ajuda quando não havia um único sítio para ficar numa terra em festa e com muitos emigrantes.

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Ladoeiro

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2 Kommentare

  • José_Lamelas 27.08.2014

    Boa Noite, grande aventura esta, costuma fazer travessias? Também já fiz algumas travessias, mas tenho vontade de conhecer pessoas que tenham o mesmo espirito de aventura.
    Que tal esta travessia, está na minha lista a fazer.

    Como se organiza a nível de comida e dormida, gostava de trocar ideias?

    Cumprimentos,
    José Lamelas https://pt.wikiloc.com/trilhas-mountain-bike/travessia-autonomica-de-portugal-rio-de-onor-sagres-1997815/photo-728981

  • Foto von nés

    nés 30.08.2014

    Tens toda a informação aqui:
    http://nezclinas.blogspot.pt/2011/09/transportugal-travessia-autonomica-de.html
    Boas voltas
    João Galvão https://pt.wikiloc.com/trilhas-mountain-bike/travessia-autonomica-de-portugal-rio-de-onor-sagres-1997815/photo-728981

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